Campanha da Rabanne que celebrou a cena musical do Rio. Foto: Melissa de OliveiraGeral

O mundo veste Brasil

A estética brasileira é tendência mas também é estratégia global de mercado

09/02/2026por Revista Visual

Nos últimos anos, o Brasil deixou de ser apenas um destino turístico exótico para se tornar uma verdadeira referência estética aos olhos do mundo. A presença frequente de grandes personalidades internacionais no país evidencia esse movimento. A cantora Dua Lipa já esteve por aqui em diversas ocasiões, e o cantor Shawn Mendes recentemente percorreu do Sudeste ao Nordeste brasileiro em uma longa temporada. Não se trata apenas de turismo, é interesse genuíno por um estilo de vida.

Ao mesmo tempo, nas redes sociais, uma nova busca se populariza, o Brazil Core. Em poucos cliques, surgem pessoas de diferentes partes do mundo vestindo o que acreditam ser a estética brasileira: cores vibrantes, cenários tropicais, chinelos de dedo, camisetas da seleção e a bandeira nacional estampada nas roupas.

Essa estética não é exatamente nova para nós, mas passou a ser reinterpretada por estrangeiros como símbolo de um lifestyle cheio de identidade. Ainda que carregue estereótipos do que se imagina ser o Brasil, essa leitura internacional coloca o país sob os holofotes de um mercado que transforma cultura em tendência, e tendência em valor.

O que começou, em 2022, com a forte presença do verde e amarelo nas redes sociais, evoluiu para algo maior. O Brasil Core deixou de ser apenas uma trend do TikTok e se tornou estratégia de branding, moda e até de exportação de soft power brasileiro. 

O mundo passou a consumir o “borogodó” nacional.

Marcas internacionais que entenderam o Brasil

Grandes marcas globais já perceberam que a estética brasileira vende e muito. Elas não estão apenas se inspirando no país, mas incorporando seus códigos visuais e culturais em campanhas e posicionamentos de mercado.

As marcas Adidas e Nike, gigantes do streetwear, foram algumas das primeiras a perceber que o estilo esportivo brasileiro e a camisa da seleção tinham apelo global.

Adidas talvez seja a maior beneficiária dessa leitura. A colaboração contínua com a Farm Rio leva estampas tropicais brasileiras para o mundo todo. Em 2025, a marca lançou uma coleção inspirada na Maratona do Rio, transformando performance esportiva em moda urbana. 

Nike também investiu em edições que extrapolam o futebol. A camisa “Edição Especial Rio” (2024/2025), com tons de cinza e referências ao Cristo Redentor, foi pensada para o público internacional que consome a estética do futebol como peça de moda.

Para algumas grandes marcas de luxo, como Rabanne e Chloé , o Brasil entrou definitivamente no radar. As grandes maisons europeias estão prestando atenção nas cores, nos ritmos e culturas brasileiras. 

Em maio de 2025, a Rabanne lançou sua campanha “High Summer” totalmente inspirada no Rio de Janeiro. Fotos e vídeos exploram ritmicidade e a atmosfera das praias cariocas para vender coleções de verão ao mercado europeu.

A Chloé, em um movimento simbólico e histórico, levou a escola de samba Mangueira para encerrar um desfile em Paris em 2023. O Carnaval deixou de ser visto como fantasia e passou a ser reconhecido como expressão artística capaz de dialogar com a alta costura.

Do Brasil pro mundo

A exportação dessa identidade começa a transpassar as barreiras do Rio de Janeiro. Marcas nacionais têm apresentado ao mercado internacional outras camadas da cultura brasileira, revelando um país extremamente plural. A Osklen é um exemplo emblemático desse movimento. Embora brasileira, a marca opera com posicionamento global de luxo e foi responsável por levar o couro de pirarucu, matéria-prima amazônica, às vitrines de Nova York e Los Angeles. Ao transformar um elemento regional em símbolo de design contemporâneo, a Osklen reposiciona a estética amazônica no imaginário estrangeiro do que é o Brasil.