Fonte: Enilda PachecoCultura

Clube de leitura em Guarapuava incentiva debate e divulgação de obras escritas por mulheres

Você gosta de ler? É um leitor contumaz? Quais são seus autores preferidos?

24/04/2023por Revista Visual

Você gosta de ler? É um leitor contumaz? Quais são seus autores preferidos?

Essas perguntas geralmente são feitas assim mesmo, mencionando o gênero masculino tanto para se referir a quem lê quanto a quem escreve. Essa constatação esbarra em outra, mais perturbadora, que é o fato de a autoria feminina ser praticamente esquecida ou desconhecida, e não apenas no universo dos livros, mas das artes em geral (e ainda nas demais áreas do conhecimento).

Foi justamente a partir da evidência de que lemos poucas mulheres que, em 2014, a jornalista britânica Joanna Walsh propôs a suas leitoras e seus leitores um desafio intitulado #readwo-men2014 (#leiamulheres2014), que consistia basicamente em ler mais obras de autoria feminina.

É fato que nas estantes de bibliotecas e livrarias (e também nas preferências dos leitores), predominam obras de autoria masculina, frequentemente por puro desconhecimento do que as mulheres produziram e vêm produzindo, especialmente na literatura, mas também em outras áreas, como a ciência, a política, a filosofia, para citar apenas algumas.

Assim, o desafio #readwomen ganhou outra dimensão e se transformou em clube de leitura, projeto organizado pelas leitoras Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, de São Paulo. A partir daí o clube de leitura Leia Mulheres se espalhou pelo Brasil e atualmente está presente em mais de 200 cidades, em todos os estados, e também em Portugal, na Alemanha e na Suíça. Em Guarapuava, o clube foi instaurado a partir das iniciativas das professoras Enilda Pacheco e Níncia Teixeira, que atuam como mediadoras das discussões propostas nos encontros.

A ideia fundamental é promover a leitura, o debate e a divulgação de obras escritas por mulheres, em encontros sistemáticos e orgânicos, nos quais o mais importante é a troca de experiências de leitura e de impressões sobre a obra em questão.

Os textos são escolhidos pelas mediadoras, a partir de determinados critérios, e não são apenas literários (contos, romances, poemas), mas também jornalísticos, científicos, filosóficos, sociológicos, além de muitos gêneros como ensaios, artigos, graphic novels, entre outros. A escolha leva em consideração a diversificação dos livros em termos de tema, linguagem, estilo e número de páginas (para que possam ser lidos dentro do mês). Neste ano, além de livros de autoria feminina, a mediação do clube propõe também a discussão de obras de artistas plásticas, cineastas e fotógrafas.

Para participar, não é necessário entender de literatura ou de teoria. Basta às pessoas interessadas ler o livro e comparecer aos encontros para a troca de experiências, que é sempre muito enriquecedora, dada a presença de pessoas de diferentes idades, profissões, origens, que têm a leitura como interesse em comum. A dinâmica dos encontros é bem informal, descontraída e divertida.

Outra prerrogativa do clube é que os encontros ocorram em um local cultural, razão pela qual o clube de Guarapuava acontece na Gato Preto – discos e livros, espaço que promove também lançamentos de livros, feiras, oficinas, discotecagem e várias outras atividades culturais. O clube de leitura Leia Mulheres – Guarapuava acontece uma vez ao mês, a participação é gratuita e aberta a todas, todos e todes. O próximo encontro está marcado para este sábado, 29, às 17h.